Os Limites Éticos da Gestão Pública e o Valor das Boas Ideias, Venham de Onde Vierem

Na administração pública, o verdadeiro desafio não está apenas em administrar recursos, mas em administrar valores. A ética, mais do que uma palavra de discurso, é o fio condutor que separa o gestor público comprometido com o interesse coletivo daquele que se perde na vaidade do poder.
É comum observar que, nas disputas políticas locais (na maioria das cidades, Estados…) propostas e ideias da oposição são descartadas de imediato, não por sua inviabilidade, mas por sua origem. Essa prática, infelizmente enraizada em muitas gestões, representa um empobrecimento do debate público e uma limitação ao desenvolvimento da própria cidade.
O gestor que rejeita boas propostas apenas por não serem “suas” ou de seu grupo político demonstra confundir governo com propriedade pessoal. O poder, em essência, é instrumento, não um troféu, e deve estar a serviço da coletividade.
O princípio constitucional da impessoalidade impõe justamente essa obrigação: o gestor deve agir em nome do interesse público, e não em favor de conveniências partidárias. Ignorar uma boa proposta apenas porque ela nasce da oposição é ferir esse princípio e enfraquecer a credibilidade da administração.
A boa política, ao contrário, nasce do diálogo e do reconhecimento do mérito, independentemente da origem.
Gestores éticos e maduros sabem que a grandeza de um governo se mede pela capacidade de ouvir, integrar e valorizar ideias, mesmo que estas venham de quem pensa diferente.
Rejeitar boas ideias por orgulho é desperdiçar oportunidades de avanço. Aceitá-las, por outro lado, é um gesto de grandeza, que demonstra compromisso real com o povo — e não com o ego.
O futuro das cidades depende dessa mudança de mentalidade. Quando a ética prevalece sobre a vaidade, e o bem comum se sobrepõe às disputas pessoais, a política deixa de ser palco de rivalidades e passa a ser instrumento de transformação.
O gestor que compreende isso não perde poder: ganha respeito. E o respeito, em política, é a forma mais sólida de liderança.
Cabe a reflexão.
Douglas A. Roderjan Filho
Advogado e procurador da Câmara Municipal de Reserva – Pr.
Especialista em Direito Ambiental e em Gestão Pública.


