Tribuna da Notícia :: O seu jornal na Internet!

Site do Jornal Tribuna da Notícia editado e publicado em Reserva-PR.

Os Limites Éticos da Gestão Pública e o Valor das Boas Ideias, Venham de Onde Vierem

Na administração pública, o verdadeiro desafio não está apenas em administrar recursos, mas em administrar valores. A ética, mais do que uma palavra de discurso, é o fio condutor que separa o gestor público comprometido com o interesse coletivo daquele que se perde na vaidade do poder.

É comum observar que, nas disputas políticas locais (na maioria das cidades, Estados…) propostas e ideias da oposição são descartadas de imediato, não por sua inviabilidade, mas por sua origem. Essa prática, infelizmente enraizada em muitas gestões, representa um empobrecimento do debate público e uma limitação ao desenvolvimento da própria cidade.

O gestor que rejeita boas propostas apenas por não serem “suas” ou de seu grupo político demonstra confundir governo com propriedade pessoal. O poder, em essência, é instrumento, não um troféu, e deve estar a serviço da coletividade.

O princípio constitucional da impessoalidade impõe justamente essa obrigação: o gestor deve agir em nome do interesse público, e não em favor de conveniências partidárias. Ignorar uma boa proposta apenas porque ela nasce da oposição é ferir esse princípio e enfraquecer a credibilidade da administração.

A boa política, ao contrário, nasce do diálogo e do reconhecimento do mérito, independentemente da origem.

Gestores éticos e maduros sabem que a grandeza de um governo se mede pela capacidade de ouvir, integrar e valorizar ideias, mesmo que estas venham de quem pensa diferente.

Rejeitar boas ideias por orgulho é desperdiçar oportunidades de avanço. Aceitá-las, por outro lado, é um gesto de grandeza, que demonstra compromisso real com o povo — e não com o ego.

O futuro das cidades depende dessa mudança de mentalidade. Quando a ética prevalece sobre a vaidade, e o bem comum se sobrepõe às disputas pessoais, a política deixa de ser palco de rivalidades e passa a ser instrumento de transformação.

O gestor que compreende isso não perde poder: ganha respeito. E o respeito, em política, é a forma mais sólida de liderança.

Cabe a reflexão.

Douglas A. Roderjan Filho

Advogado e procurador da Câmara Municipal de Reserva – Pr.

Especialista em Direito Ambiental e em Gestão Pública.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *